
"Dentro do Rio Tietê paro para pensar em algo que me entorpece. Paisagens, árvores com seus brilhos esverdeados..."
"Onde, quando foi a última vez que essas águas sentiram meu corpo trepidar? Qual foi o momento?"
Não, não é Fernanda que se descobre nessas águas... as lembranças vem à tona quando pisa na grama rala, na terra seca e quente do sol. As imagens passam por seus olhos, a faz mergulhar num passado não muito distante... instantes que foram conservados, esquecidos para não causar qualquer sofrimento.
Dentro de suas águas conchas são encontradas... outras lembranças deixam um coração um pouco incerto.
No passado...
"Essa concha aberta simboliza suas asas, lembrei de ti."
Ela guardava entre suas peculiaridades aquele objeto extremamente significativo. O que dela restou? O pó entre as moedas, pedaços jogados fora.
Essas conchas de hoje são mostras de um presente influenciado pelo passado, muitas asas cresceram dos meus braços, tomei a liberdade de soltá-las... E o que agora me resta? Lembranças... asas muito largas que ainda sobrevoam a existência... a sua...
Ao entrar no Rio
Não esperava encontrar-te
Esperava-me decidir
Quem sou eu
E o que quero de mim.
Nas águas do Tietê
Ponho-me a refletir
Outras vidas virão
Sobrevoarei o passado
Mas...
Fernanda confunde-se... asas são cortadas bruscamente, assim como a imagem criada... sem nexos, sem ligações...
A pérola não se encontra no interior das conchas, elas estão ocas... vazias de tudo... da consciência...
