
Eu sou doadora do meu tempo, do meu calendário, dos calendários espalhados por cada cômodo da casa. Talvez eu dê os relógios que marcam o tempo futuro e o tempo que não quero aguardar.
Sou doadora de uma insana angústia!
Sou doadora do sangue tipo B+, nas minhas veias correm esse líquido e talvez o meu DNA. Quero que doem meus órgãos quando eu vier a sair desse mundo... não quero que a terra coma e apodreça algo que poderá ser usado. Há tantos vermes nos terrenos que a terra terá do que se alimentar.
Doarei minha medula óssea para quem possa servir, há tantas células em mim, há tanto que distribuir...
Eu sou doadora do saber que a mim compete, doo minhas palavras para serem eternizadas. O que eu quero com meu corpo? Farei uso dele até quando eu puder depois ele estará a mercê da ciência que confio... não quero um lugar no cemitério para ser lembrada, para receber flores... quero ser recordada pelos meus escritos e meus atos... não quero ocupar espaço no mundo térreo.
Talvez algumas de minhas doações sejam utópicas... talvez ninguém queira receber o que vem de mim... mas aqui estará gravado os meus desejos, eternizados ciberneticamente...
Como 100º post escolhi o tema “Doação”, afinal, doei até hoje 99º pensamentos e poemas para a internet, ou pelo menos para o blog, doei o que acredito que seja o meu Ser, o que sou, do que sou CONSTITUÍDA, sejam coisas boas ou ruins.