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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Bebidas & Cia...


O colarinho nos lábios prova que ela bebeu o que ansiava há tempos! Afogar as mágoas naquele copo de vidro, naquele copo que talvez espatifaria no chão se estivesse num grau ilimitado...



Em sua frente três vidros: o de azeite, o de pimenta e o de alho. E o que ela pensa? Pega essas garrafas e ameça beber... seu corpo deseja sentir a garganta queimando com a pimenta extremamente ardida... a boca queimando por algo que a feriria completamente... seu estômago não aguentaria por muito tempo, sua estrutura física entraria em estado de calamidade! Mas seu psicológico a felicitaria por essa audácia... seu corpo em fervor brindaria! Felicidades!



Presa ao cinto de segurança sente-se mais confortável... seus instintos se acalmam, a ilusão da mesa vai embora... o açúcar já em suas veias a faz esquecer que a pouco estava alterada, sem vexames, mas com pensamentos sórdidos!



Em frente ao teclado e uma tela a personagem se cria, os pecados voltam a ser cometidos... menina dos olhos não toma mais cuidado... não deleta da sua mente as lembranças que a infernizam! Ilusionista, femme fatale a erotiza...



Embriagada não se encontra... o álcool já se evaporou e o que resta são só palavras escritas... palavras jamais esquecidas...



Não é a bebida que a incomoda e a faz escrever... é a outra que quer Ser.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sentindo-se...


Será que estou me apaixonando novamente? Será que alguma doença está me assolando? O corpo aflito insiste, persiste na droga que me definha... Eu a quero em essência, corpo nu, corpo revestido de doses de conhecimento, de anos que se passaram antes de eu vir ao mundo.

Ma Chérie. Quero percorrer suas curvas italianas abrasileiradas. Necessidade de estar junto, recostada em seu ombro... Seu colo. Beije-me os lábios que te chama, ensine essa criança a amar de verdade, a sentir o corpo feminino com a sensibilidade que lhe cabe... a sensibilidade que se expressa em sua escrita.


Ma Chérie, ne me quitte pas. No sé olvidé de mí. No dejame sola.






Despedida.



O chocolate na bolsa



O coração saltitante



Os versos no papel



E a coragem...






Ela vai e deixa-me



Acompanho com o olhar



Minhas mãos em suas pernas



Da panturrilha até as coxas



Percorrendo a imaginação...



Penetrando pensamentos...



Ilusão.






Sinta-se



Como te sinto



Completamente



Instável...



Eu tinha medo e tudo que temia aconteceu. Penso nela antes de dormir, sinto seu cheiro no meu travesseiro. O único cheiro que senti uma única vez em minhas vestes. Aquele doce e inesquecível abraço. Preciso de sanidade para dormir, mas por enquanto isso está fora de cogitação. Não durmo enquando não a imagino nos meus braços, enquanto não me vem a imagem das suas costas... SUAS COSTAS. Nuas, com pintas que pintam o sete da minha imaginação.

Mulher provocante por que atravessastes o meu caminho? Agora preciso nutrir essa ilusão com algumas visões que se formam depois de tanto te admirar. És bela e isso me deixa desnorteada.


Meus olhos fecham agora. O sono bate na porta e vou recostar-me. Dormir para sonhar contigo, para chegar o dia de amanhã e quem sabe admirá-la mais um pouquinho... juntar corpus para escrever. Escrever sobre e para ti...

Deitai sobre meu corpo nu e adormecer...



Deitai sobre minha inocência e despertar...



Deitai sobre meus sonhos e divagar...



Deitai na minha sanidade e enlouquecer...



quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Exalando-se...

"Hoje faz 23 ou 24 dias que não falo com ela. Admito que não sinto tanta falta. Mas admito que sinto falta de alguém dizer que me ama".



Fernando cometeu uma audácia, não se segurou e revelou à sua inspiração, à sua musa um poema que fez... Aquele perfume em sua roupa... aquele abraço psicodélico. Psicodélico. Tantas imagens perpassaram sua mente... aquele olor penetrando suas narinas, um abuso, uma violação... o LSD... O Boa Noite Cinderela... que fez a Bela Adormecida sonhar... excitar-se e divagar-se em todos os planos de pensamentos e lógicas e sentidos.

Um vestido. Um vestido estampado que se assemelha à música de Ana Carolina. Um andar. Como ela pode andar estonteantemente tão bela... São os olhos da nossa personagem que estão cobertos com uma fina fibra de ilusão... Uma fibra altamente tóxica. Seus olhos estão vermelhos. Irritados. O veneno ilusório a está envolvendo, tantos anos acolhendo-a... os olhos perdem a sensibilidade. Seus olhares estão fixos. Aquele caminho. A linha que atravessa o corpo de alguém. Movimentos rápidos... Secando-a. Alimentando-se de sua estrutura física e excitante.
Cheiro. Como será difícil esquecer o cheiro. Não são os olores dos nossos corpos. É o aroma que exala dela, que fazem os seus sentidos ativarem uma substância inevitável. O corpo em chamas devido ao perfume... Como sobreviver a essas sensações?


Nossa personagem dorme. Talvez esteja no momento de parar de querer estar nos braços do seu próprio ego. Bipolaridade. Sensibilidade. Poeticidade altamente erótica. Frágil. Fernanda, tu és.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Ações Devaneadas




Fernanda acorda de repente e sente uma força tremenda, um fio energético que a conduz... que a faz escrever alguns versos... Em estado semi-acordada digava... nos relata suas Ações Devaneadas:






Em seu peito nu
Quero deitar-me
Sentir nossos corpos
Fundindo-se...


Em suas madeixas
Quero percorrer-me
Sentir cada fio
Acariciando-me.


Em seus braços
Quero entrelaçar-me
Senti-los em labirinto
Protegendo-me.


Em suas pernas
Quero deixar-me
Senti-las palpitando
Desejando-me...


Em seus pés
Quero ajoelhar-me
Senti-los e beijá-los
Venerando-te.


Em seu corpo
Quero encontrar-me
Sentir os olores exalando
Nossa fusão completando-se.


Em seu coração
Quero permanecer-me
Sentir que a amo
Eternizando-nos.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Suspiro de uma alma




A história começa com o simples suspiro, o sussurro de uma alma... divagante...



Fernanda caminhava por um campo abstrato onde viam-se figuras geométricas sobrevoando o espaço em que ficava estacionada. Ela admirava esses objetos incertos e se perguntava “onde estou? O que essas imagens significam pra mim?”.



A personagem estava “ambiguosamente” confusa... criava personagens distintos de sua forma de pensar e seu modo e razão de existir. Fernanda não sabia se jogava-se pelas escadarias do apartamento vizinho, típico de alguma literatura que nunca havia lido. Ela estava tão intensamente ligada naquele espaço que a fazia flutuar... ela simplesmente queria pegar qualquer ser estático e jogar em outro e fazê-lo explodir, cair em pedaços pelo chão encharcado de sangue humano, de estados fisiológicos...




Fernanda está sem ar, está asfixiada no plano que resolveu viver... perder-se em devaneio, em distúrbios psicológicos que ainda estão pra conhecer... Ela está semi-morta, dentro de uma alma que continua viva. Semi-viva. Talvez.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Deixe-me...

Alguns anos se passaram e eu ainda estou aqui, entregue à essa tecnologia que me vicia todos os dias... Conseguirei viver sem a internet? Sem a íntima ligação entre um NÓS que não existe há muito tempo?



A criança não abre mais os olhos, o que vai enxergar? Um mundo de mediocridade, de desejos, de sonhos vãos? A criança não sente suas mãos, mas brinca com as bonecas humanas que a cercam... Será que isso é suficiente para curá-la desse mal? A criança não chora, a criança é tão duramente deplorável... É um inseto que come do veneno e morre aos poucos... é o rato que devora um queijo maldito, para saciá-lo, para alimentar o que o constitui... A criança não é humana... Foi ao encontro da medusa que a transformou em pedra... deixou-se cair pelo canto das sereias e está morrendo afogada... águas saem pelos seus poros... jorra... a fonte seca... suas veias transbordam... O corpo esgota-se...

O que fazer com essa alegria constante em meus lábios? Meu sorriso é contagiante como o ódio que às vezes invade meu peito... Polaridade que incomoda membros mais próximos... O amor que sente é tão poderoso e inevitável... A raiva vem e passa e machuca e transforma...

Deixe-me dizer o que me afligue... São aqueles belos pares de pensamentos... aqueles sensatos e libidinosos... força tão intensa que me faz pensar em cenas... em momentos que nunca hão de existir... São mentes que me saciam e me metamorfoseiam...


quarta-feira, 7 de julho de 2010

Uivando...


O corpo treme quando ela toca... suas vibrações me deixam extasiada...



"Y ahora que todo ha acabado

Que tu vida cae en picado


¿Quién te va a querer ahora?


¿Quién te va a querer ahora?"


O choque, o atrito de nossa pele... os olhos semicerrados...


"Y ahora que la luz del día

Brilla sobre tus pupilas

¿Quién se va a creer tu historia?

¿Quién se va a creer tu historia? "


As mãos não tão agéis, imaturas para uma figura tão divinamente bela...


"Niño, enciende el fuego

El fuego que llevo dentro


Niño enciende el fuego

Que llevo dentro"


Sentidos se afloram e as chamas queimam meus ossos... só cinzas...


"Niño, no tengas miedo

Ahora que esta oscureciendo


Yo te taparé los ojos


Para no verlos

Para no verlos"



E a criatura frágil se esconde dos medos, dos perigos criados pelo seu próprio pensamento...

"Y dime si sientes lo mismo

Y dime si estás conmigo

O contra mí

O contra mí"


E morres sem saber quem estava ao seu lado, aquele ser sem maturidade suficiente pra te proteger e levá-lo para o seu mundo...

"Porque la misma confusión
La sientes tú, la siento yo

Yo me limito a seguir

La ley de mi corazón"


E vejo que minha visão se foi, assim como meu tato, audição, olfato... Não sinto mais nada... Só um vazio tremendo preenchendo meu interior... esperanças... lembranças... personagens que se foram e não voltarão... não enquanto estiver aqui... entre meus dedos, entre meus músculos, ligando as fibras que constituem meu corpo humano... Vértebras, veias... sensibilidade imediata! Não enquanto meus poros estiverem abertos... Não enquanto eu estiver respirando minha poética incerta...


"Si tú me quieres
Me dejarás volar
Si tú me quieres
Me dejarás volar


Pero si tú me quieres
Me dejarás marchar
Y algún día podremos
Volvernos a encontrar
Y no me harás reproches"


*Trechos das músicas "El artista del alambre", "Gato Negro" y "Las chicas de mi bairro" de Amaral.



quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Loucuras...

Estou ficando louca, estou definhando a cada dia... e não sei o que fazer pra me curar... não sei... Estou doente... não tenho mais ciência do que faço... estou morrendo...



Loucura


Poesias em papéis

Recortados e picotados

Colados um por um

E entregues ao vento...


Néctar que se bebe

Ao som de uma sinfonia,

Corpos dilacerados

Entrergues à melancolia.


Rosto em lágrimas sanguinolentas

Pulsos cortados e entregues

Às moscas banhadas ao vinho.


Taça com líquido estranho

Um ser em suas ondas navegando

Cristal que se despedaça

No ritmo da desgraça.




PS: Ser poeta é sofrer constantemente...